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3 de abr. de 2012

Parando de fumar - PARTE 1

Fiquei imensamente feliz ao saber que meu texto sobre o cigarro tocou algumas pessoas, que fez os fumantes pensarem um pouco diferente (tive uma prova disso), fez os não-fumantes compreenderem um pouco mais sobre a cabeça de um dependente para assim tentar ajudar. Sei que agora, alguns esperam o meu texto sobre as técnicas pra parar de fumar, fico até com medo de não atender as expectativas de vocês, mas queria que soubessem que posso dar milhões de dicas aqui, mas só vocês saberão como proceder, só vocês saberão o momento exato de dizer: “É AGORA” e só vocês se conhecem tão bem a ponto saber os seus pontos fortes e onde precisam de maior atenção, então eu digo, VIGIEM esses pontos fracos, FOQUEM NELES. Não sei qual a religião de vocês, mas afirmo que por mais que sejamos ligados à Deus, às vezes precisamos passar por algumas provações na vida, que não estamos livres de dificuldades, mas tudo compensa. Acredito que essas dificuldades servem pra nos preparar para algo muito bom que nos espera e com toda a certeza, só sabemos dar valor ao que conquistamos com muito suor, portanto, não pensem que será fácil, pois não será, mas afirmo que tudo o que passarão, será momentâneo, não horas, SERÃO DIAS E DIAS, mas depois PASSA. A vida que eu levo hoje é de uma pessoa que nunca fumou (tirando o fôlego que ainda estou reconquistando), logo o cigarro não era tão necessário assim.
Mesmo decidindo parar de fumar, ainda faltava algo onde eu pudesse me segurar, foi quando numa troca de mensagens pelo twitter, uma querida chamada Dani Cascaes me falou algo interessante: “Paula, pense que o cigarro é como uma relação doentia. Aquele tipo de relação que apesar de você gostar, só te faz mal e não serve mais pra você..”. Isso me deu um empurrão, pois quando as relações terminam, o que fazemos?? Nos acabamos por dentro, mas não procuramos, não cedemos. Terminou e assim será daqui pra frente. Sempre sofremos durante um tempo, mas depois vivemos como se nada tivesse acontecido. Espero que vocês também dêem um ponto final nesse relacionamento um dia. Se precisarem, eu empresto a frase que usei pra me amparar. ;)
Tracem metas semanais, pois o fato de pensar “eu vou parar pra sempre” dá um desespero enorme, faz você tremer na base e colocando prazos curtos, é muito mais animador e fácil de conquistar. Engane o seu cérebro. Em vez de pensar "nossa, são 7 dias! 1,2,3,4,5,6,7.", PENSE: RUMO À PRIMEIRA SEMANA. 1 semana parece menor que 7 DIAS. \õ/ (Usei a mesma tática pra emagrecer..primeiro 2kg, depois mais um... se pensasse no total, desistiria na hora).
Aquela velha historia de substituir o cigarro por uma balinha, é papo furado, mas ajudou muita gente. Só digo pra não descontarem na comida, pois a coitada nada tem de substâncias que se assemelhem ao tanto de porcaria contidas num cigarro. Muita gente fala que quando ocupa a boca com comida, não pensa no cigarro, mas NINGUÉM AQUI QUER ESQUECER, pelo contrário, TENHA CONSCIÊNCIA. Parece masoquismo, mas você precisa ter consciência de seus atos, todos, até os mais dolorosos, pra não se deixar levar por um momento de distração ou desespero. Nesses momentos só damos cabeçadas, já repararam? Em tudo na vida. E não se preocupem. Por enquanto, só pensem muito no assunto, sem a OBRIGAÇÃO de parar. Todo fumante é descontente com alguma coisa relacionada ao cigarro, mas NUNCA ADMITE pros outros, pra não terem o que criticar, mas essa conversa que você terá agora é consigo mesmo. SEJA VERDADEIRO COM VOCÊ, não se engane, não precisa. Muitas vezes nos enganamos, nos maltratamos muito. Acho que já bastam as coisas que acontecem contra a nossa vontade e mesmo assim temos que enfrentar. Faça as pazes com você, seja sincero, enfrente seus monstros, organize a casa, dê o primeiro passo e se delicie com as novidades. É difícil e trabalhoso, mas ninguém consegue nada do dia pra noite. Você verá que esse é o ponto de partida pra uma fantástica mudança de consciência e que a partir daí, você conseguirá tudo nessa vida. Esteja aberto às mudanças, às novidades. Vejo a conquista como esse visual da foto. Pelo medo de altura, quase não subo essa serra, mas tive curiosidade de saber o que havia lá e olha com o que FUI PRESENTEADA!!! Não deixem de fazer as coisas por algo que vocês nem sofreram ainda e que nem sabem se vão passar ou não. Mirem no resultado, estipulem pequenas metas e deliciem-se com as descobertas ao longo do caminho. Guardem todas e lembrem que os momentos ruins são temporários, sempre, mas podemos dar um jeitinho de passar por eles da melhor forma possível e, é isso que vou falar mais pra frente, mas antes de tudo, pensem no que conversamos hoje. ;)

29 de mar. de 2012

A decisão de parar de fumar


Me emociona escrever sobre isso, pois foi a minha maior conquista até agora. Quando falam que só damos valor ao que é difícil de ser conquistado..é a mais pura verdade, e eu me sinto o incrível hulk por isso.
Comecei a fumar aos 15 anos, por burrice (claro) e por uma extrema necessidade de afirmação. Essa é a fase em que precisamos ser aceitos, é quando o nosso mundo começa a ser dividido por tribos, grupos e quando começamos a conhecer os interesses. Até porque, na minha época, antes de 15 anos, a gente só queria saber de brincar e pouco importava quem tinha barbie ou prima pobre da barbie, se todas usavam roupas feitas de meia e os móveis da casa dela eram de caixas de fósforo. Fora as brincadeiras na rua (pira esconde, fura-fura, garrafão, peteca, queimada..)...saudade dessa época, mas voltemos ao assunto.
Com o tempo, os mesmos amigos que começaram comigo nessa "viagem", pararam com a brincadeira e eu fiquei. Na minha opnião, a pessoa não vira dependente, a pessoa É dependente e não sabe, por isso todos os amigos largaram a onda de fumar e eu fiquei..fui criando relação, aprofundando. Na época era um charme fumar o INSUPORTÁVEL Gudang Garam. Com o tempo eu fui achando nojento e trocando por cigarro de macho (o carlton, luck strike e camel da vida). Eu comprava a lata do Gudang, guardava embaixo das roupas na gaveta e levava sempre aos poucos quando saía. O tempo foi passando e o vício aumentando, até que meus pais descobriram, NUNCA aceitaram, mas passaram a ter que conviver com isso. (É quando digo que amor paternal não é deste mundo, não mesmo...é magnífico. Minha mãe sofria com sinusite, rinite, alergias intermináveis por conta da fumaça e fedor do cigarro, mas nunca desistiu de mim e nem de me incentivar a parar). Meu lance com o cigarro passou de habitual, gestual, pra algo muito mais intenso. Nós tínhamos uma relação íntima, éramos uma dupla dinâmica. Eu o levava aos lugares, o apresentava a sociedade, já que atualmente ele é quem passa por problemas de aceitação (pois o fumante não liga pra nada e sempre dá o seu jeito) e ele entra dividindo parcelas da vida e dando apoio. Foram muitas alegrias dividas nas rodas de fumantes, muitos rolos que começaram por um empréstimo de isqueiro, foram muitas lágrimas, muitas...muitos momentos de solidão. Só ele quem me entendia e muitas vezes, inúmeras, foi SÓ ELE quem me acompanhou. O fumante vai pegando essa relação de "alma gêmea" com o cigarro. Nossos amigos tem compromissos, nossos familiares também, mas o cigarro, basta ir na esquina, puxar da bolsa..ele está lá contigo, pronto pra ouvir teus pensamentos, te dar 2 minutos de paz e depois voltar pro dia.
Com o tempo, passamos a dividir um café, uma cerveja (cheguei a fumar quase 3 carteiras numa noite e não me perguntem como eu amanhecia), o banheiro.. nossa, isso é o auge da intimidade pra mim. Pra você ver como o lance é intenso, que nunca dividi banheiro nem com marido. O negócio dominou, mas eu nunca importei, afinal de contas, que me ama tá comigo. E quem eu amo, por que não tô me importando?
O tio do ex-marido quase morreu por conta do Carlton (o meu xodó)..CÂNCER, fez traqueostomia. Vi toda a recuperação e nem liguei. O fumante é sempre mais forte, mais inteligente, mais dono da verdade que todos e sempre, sempre sabe que o dia que algo começar a dar errado, é o toque pra ele parar e pronto, ele pára. MENTIRA, ele pensa em parar. Depois de muito tempo fumando, o fumante já admira quem consegue fazer as coisas sem fumar, já acha meio chato ter que se afastar do grupo, justo no papo interessante, porque está na hora do cigarro. Ele já acha triste ter que sair pra comprar o maldito cigarro, quando poderia estar curtindo a chuva debaixo das cobertas, mas vai mesmo assim. O cigarro é tão bacana que faz passar essa sensação de tristeza. Sabe, hoje eu posso afirmar que parei de fumar (ainda vou comentar como fiz pra parar), mas eu gosto do cigarro, gosto do gosto, gosto da companhia. (tô quase chorando ao escrever isso), mas eu sei que chegaria um tempo em que eu teria que escolher "EU ou ele". Meus pais estão envelhecendo e sinceramente, eles não suportariam me ver sofrendo numa cama de hospital ou não suportariam a dor da minha perda por uma coisa tão pequena: um cigarro, mas isso é coisa que a gente vai pensando com o tempo e que eu sempre esqueci depois do primeiro trago.
Sempre me preocupei com a aparência (uma vez miss tuna 94, sempre miss tuna kkkk) e um belo dia me vi com manchas horríveis no rosto (poucas ainda),
aspecto cansado, marcas de expressão pelo hábito de fumar e uma tia fumante que eu tenho, disse que com o passar do tempo eu ficaria igual ela com "código de barras" na boca (aqueles risquinhos de boca rachada) e aquilo me apavorou. Meus dentes que sempre foram branquinhos, estavam amarelando e comecei a ficar encucada. Sim, eu estava envelhecendo antes do tempo. NÃO PODE, nem cabelo branco eu tenho ainda (não tenho mesmo, porque o único que apareceu, eu arranquei e voltemos ao assunto). Achei sacanagem o cigarro fazer isso com quem sempre deu o maior apoio a ele, mas isso é como se fosse contra a vontade dele... Como eu disse ao meu chefe, o cigarro em si, lá na carteira dele, não faz mal algum, é inofencivo, bacana, o cruel é o hábito de fumar e ele que estava acabando comigo. Eu posso até segurar um cigarro que ele não vai me fazer mal, mas ao acender e tragar....
Tentei inúmeras vezes parar de fumar, o máximo que consegui foi 1 ano, mas como ainda era influenciável (18 anos), voltei mais rebelde que nunca e mais viciada que nunca. Cada vez que paramos de fumar, voltamos com mais sede e ficamos mais frustrados, nos sentindo mais fracassados. Acho que por isso é tão doloroso tocar no assunto "PARAR DE FUMAR", pois não é fácil pra quem é tão forte como dupla, se admitir tão derrotado, se permitir fracassar mais uma vez..ninguém imagina o tamanho da briga interna, então é muito mais fácil seguir fumando, pois se eu morrer com o vício, não vou ter que ouvir piada de ninguém, muito menos ter que explicar que voltei e onde eu errei. ESSE É O PONTO, mas lembra quando comentei da família? Não queria esse sofrimento pra minha mãe, ela não merece e ...eu quero ter filhos. DOIS. Estou perto dos 30 anos.
Frequentei algumas reuniões da terapia de grupo pra fumantes, promovido pelo SUS. A única mais nova era uma moça de 18 anos que provavelmente não conseguiu parar até hoje, pois além de fumante, era depressiva, mas o resto, eram senhores, senhorinhas...rosto maltratado pelo tempo e pelo vício. Desempregados que muitas vezes não tinham dinheiro pra comer, pegar ônibus pra entrevistas de emprego, mas continuavam fumando. COMO??? Eles choravam contando suas histórias e eu chorava contando a minha, mas que, sinceramente, não era nada ou quase nada ao lado da deles e eu não queria isso pra mim. AINDA ERA TEMPO.
Todo mundo fala da crise dos 30 e ao perceber que ele estava chegando, em vez de me lamentar, me veio a vontade de tentar resolver tudo o que sempre me incomodou e isso tem me feito um bem danado a cada dia. Como já disse, o cigarro nunca me fez mal nenhum, mas o hábito de fumar, ainda iria me matar.
Não tive tempo e paciência pra continuar frequentando a terapia de grupo. Por um lado, me senti abandonando aquelas pessoas, que eu enfiei na cabeça que precisavam de mim e da minha força, mas que força? Acho que agora, com esse post, eu tô atingindo muito mais pessoas e devo conseguir, pelo menos, por alguns minutos plantar um sentimento bacana na cabeça de alguém e de todas essas pessoas, pelo menos uma pode parar de fumar. JÁ É UMA VITÓRIA.
Nessa luta, vi que a melhor forma de estar preparado pra todas as dificuldades da vida, é passando por elas, só aí que descobrimos o nosso potencial. A
ntes de perder pro mundo, perdemos pra nós mesmos, pois os nossos joelhos só dobram, quando o cérebro dá o comando pra que eles dobrem ou seja, VOCÊ PODE, VOCÊ CONSEGUE.
Como sempre, resolvi fazer tudo do meu jeito (sou teimosa demais) e no dia 30 de outubro de 2011, DOMINGO, às 12h fumei o meu último cigarro. Nem esperei chegar a segunda, que é o dia oficial de começar tudo na vida. Hoje digo que a melhor hora pra começar, seja lá o que for, é AGORA!!!

(Farei um outro post contando os meus métodos pra enfrentar esse martírio).